Enquanto as empresas começam a divulgar seus resultados do primeiro trimestre de 2025 (1T25), é imperativo olhar para trás e compreender o que o ano de 2024 revelou sobre a lucratividade no varejo de capital aberto no Brasil.
O Grupo Carrefour Brasil merece destaque. A empresa não apenas manteve sua liderança em receita líquida, alcançando R$ 109,3 bilhões, mas também entregou um lucro líquido de R$ 2,38 bilhões. Este valor representa uma alta notável de 517% em relação a 2023. Em um ambiente de consumo que ainda enfrenta pressões, realizar esse crescimento foi um feito estratégico.
A americanas s.a. também chama a atenção. Após o colapso contábil, a varejista registrou lucro novamente, com R$ 8,28 bilhões em 2024, revertendo completamente o cenário anterior. Contudo, é fundamental entender que esse resultado sofreu influência de ganhos extraordinários relacionados à quitação das dívidas concursais, o que incluiu haircuts e reversões contábeis de encargos financeiros. Ao mesmo tempo, a empresa reconheceu um impacto negativo de R$ 4,7 bilhões devido à baixa de ativos fiscais. Portanto, trata-se de um lucro estruturalmente não recorrente.
Por outro lado, Grupo Mateus, RD Saúde, Lojas Renner S.A., Magalu, Assaí e Farmácias Pague Menos demonstraram lucro consistente com crescimento sólido. Isso indica que a combinação entre produtividade, mix, eficiência operacional, supply chain, escala e o foco em canais digitais começa a se consolidar como um diferencial competitivo no setor.
Na contramão, Natura, Grupo Casas Bahia e Pão de Açúcar (GPA) fecharam 2024 no vermelho. O Grupo Casas Bahia, em um momento de turnaround, reduziu o prejuízo. No caso da Natura&Co, o prejuízo recebeu forte impacto pela desconsolidação da Avon Products Inc. (API) e por baixas relacionadas ao processo de Chapter 11 nos EUA. Tais eventos, de natureza não-operacional e não-caixa, afetaram drasticamente o resultado final. O GPA também reportou um prejuízo significativo, influenciado por fatores estruturantes e excepcionais. Sem esses efeitos, o prejuízo seria menor, indicando que existem sinais operacionais mais consistentes por trás dos ajustes contábeis.
A lupa do investimento criterioso em 2025
Com as taxas de juros ainda elevadas, o custo do dinheiro se mantém caro. Em outras palavras: errar no investimento custa mais. Por essa razão, o setor de varejo adota uma postura mais cautelosa, com foco absoluto em um Retorno Sobre o Investimento (ROI) positivo, na gestão da dívida líquida e em projetos que apresentem payback rápido e mensurável.
Investimentos em experiência do cliente, omnichannel, retail media, dados e CRM devem ganhar ainda mais força por um motivo simples: a necessidade de reduzir o Custo de Aquisição de Cliente (CAC), elevar a recorrência e ativar melhor a base de consumidores.
Dados, Inteligência Artificial (IA) e marketing de performance devem trabalhar em conjunto. Marcas que souberem personalizar a jornada e transformar analytics em decisões operacionais vão conseguir capturar valor. O desafio reside em realizar isso com governança, eficiência e capital humano devidamente treinado.
Em um setor que apresenta grande dificuldade de contratação e onde os ventos mudam com rapidez, o lucro não é apenas um número. Ele é um sinal de estratégia bem executada. Que 2025 traga menos euforia, mais consistência e decisões à altura dos desafios macroeconômicos.






