Em vez de iniciativas voltadas apenas apara automação e produtividade, organizações como Afya, Saga e Grupo Fleury já utilizam analytics e inteligência artificial para gerar impacto direto nos resultados financeiros, na eficiência operacional e na gestão de riscos, com efeitos mensuráveis como 50% a 70% mais velocidade nos ciclos de riscos e até 60% mais rapidez em auditorias.
Os cases foram divulgados durante a 20ª edição do Integrity Forum, realizado no Amcham Brasil e ajudam a ilustrar uma mudança de maturidade no mercado brasileiro. A tecnologia vem sendo aplicada para além de acelerar processos, prioridade da onda anterior, como também apoiar decisões capazes de gerar redução de custos, potencializar rentabilidade e fortalecer a governança corporativa.
Entre os destaques está a Afya, que desenvolveu um projeto de FinOps voltado à otimização da infraestrutura tecnológica. A iniciativa identificou potencial de economia de aproximadamente R$ 650 mil por mês por meio da análise da utilização de ambientes de computação em nuvem e recursos de tecnologia.
Já a empresa Saga apresentou uma iniciativa de monitoramento do ciclo de venda de veículos varejo e atacado. O projeto permitiu assegurar os ganhos de margens devidos e a captação de novas receitas de serviços agregados. Segundo os executivos envolvidos, uma melhora de apenas 0,6% na margem operacional representa recuperação de bilhões de reais para a companhia.
O Grupo Fleury, por sua vez, desenvolveu uma solução baseada em autoavaliação de controles para expandir a visibilidade sobre riscos estratégicos, consolidar a governança corporativa e reduzir possíveis perdas associadas a glosas e ineficiência operacionais, além de melhorar a eficiência dos processos de auditoria e gestão de riscos.
Durante o evento, especialistas destacaram que as empresas estão migrando de uma abordagem baseada apenas em indicadores e relatórios para modelos apoiados por analytics avançado e inteligência artificial, capazes de transformar grandes volumes de dados em insights acionáveis para o negócio.
“Realizamos o programa Hackaton para avaliar, dentro de uma jornada, os processos e resultados de parceiros. Criteriosamente analisamos caso a caso para compreender, de fato, a relevância do impacto gerado diretamente nos negócios. Para isso, o uso do analytics apresentou um peso de 40% nas avaliações”, afirma Felipe Romano, GRC Operations Manager da Quality Digital.

Segundo ele, a evolução da tecnologia também está mudando o papel das áreas de auditoria, riscos e compliance dentro das organizações brasileiras. Tradicionalmente associadas à supervisão e ao controle, essas estruturas passam a contribuir de forma mais ativa para a geração de resultados.
A tendência acompanha um crescimento em diversos setores da economia. À medida que o acesso aos dados se torna mais amplo e a capacidade analítica mais sofisticada, empresas passam a utilizar inteligência artificial para identificar oportunidades, antecipar riscos, otimizar operações e elevar a eficiência em escala.
“Estamos vendo a transição da IA como ferramenta de produtividade para a tecnologia como instrumento de geração de valor concreto. O diferencial competitivo passa a estar na capacidade de transformar dados em decisões melhores e mais rápidas. Os cases que mais ganham relevância são aqueles capazes de realmente reduzir custos, aumentar receita, mitigar riscos e apoiar decisões estratégicas”, conclui Romano.








