Carolina Franco

Jornalista. Experiência de 18 anos em comunicação e MKT, com 4 anos de vivência no mercado internacional. Atuação em grandes empresas como TV Record, Portal R7, PepsiCo, Banco Carrefour, Banco BS2, entre outras, onde desenvolveu projetos de comunicação interna, assessoria de imprensa, gestão de conteúdo, produção de eventos e campanhas de MKT.

O boom da IA: tempos difíceis ou revolucionários para o Marketing?

Estudos e eventos sobre IA, como a NRF 2025, levantam questões importantes sobre a aplicação da tecnologia nas diferentes frentes do marketing. É essencial ir além da experiência de um evento, vivê-la in loco para entender, na prática, como o marketing pode ser impactado positivamente ou negativamente pelas grandes inovações propostas pela inteligência artificial.

Vamos olhar para a NRF, o maior evento de varejo do mundo. Para fugir do básico, dos clichês das “10 tendências para o varejo via NRF” e dos temas mais bombados, é interessante focar em insights reais, com comparações in loco, usando dados do mercado e a realidade vivida tanto nos EUA quanto no Brasil. Do lado de fora vale observar a Target, dentro da feira a Loja Amazon Go, que são conceitos diferentes, mas que na ponta oferecem uma experiência rápida, eficiente e realmente satisfatória.

Tudo começa com um visual limpo nas lojas, sem muitas informações, placas de desconto ou vendedores oferecendo algo. Quem entra ali já sabe o que precisa, tem pouco tempo, provavelmente é um comprador frequente e certamente voltará. E por que tantas certezas? Porque existe um valor agregado nas marcas. A Target e a Amazon refletem dois conceitos de jornada completa. A queridinha da sacola vermelha e branca oferece bons preços, grande variedade de produtos e checkout facilitado. Aliás, o caixa sem atendente não é mais tendência nos EUA há muitos anos; trata-se de economia de tempo, dinheiro e garantia de uma jornada sem ruídos. Já a Amazon, conhecida mundialmente pela entrega rápida e eficaz, seja em serviços de nuvem, segurança ou entregas, traz no conceito Amazon Go uma experiência de loja que envolve tecnologia em toda a jornada: biometria facial logo na entrada, distribuição impecável de produtos nas prateleiras e pagamento em pouquíssimos cliques. O resultado? É possível realizar uma compra no local em até 2 minutos.

Agora, o que realmente está em pauta para qualquer discussão dentro ou fora da NRF, no Brasil ou nos EUA, é a IA. Ela faz parte dos exemplos citados acima: está no autoatendimento da Target, ajudando a identificar produtos dentro e fora da sacola, ou sugerindo um desconto via aplicativo ou cartão. E, claro, também está na Amazon Go, onde, em poucos segundos, tudo foi integrado: biometria do comprador, dados do cartão e gerou transação de compra concluída rapidamente, quase que instantânea.

O legado da NRF, com todas as experiências in loco proporcionadas dentro e fora do evento, na cidade de Nova York, é a sensação de que o consumidor está cada vez mais conectado, vivendo uma grande transformação digital e tornando-se também mais exigente, incluindo as novas gerações. Tudo isso exige uma estratégia de marketing mais assertiva, que precisa “abraçar” a IA para alcançar o sucesso. 

Para quem é do time dos mais “velhos” podemos dizer que estamos vivendo atualmente a transição e evolução do conceito do uso dos dados. Para exemplificar, há poucos anos, era necessário cruzar enormes planilhas e navegar em ERPs complexos para entender o perfil de um cliente, lançar um produto ou preparar uma base para uma grande campanha de CRM. Hoje, a IA entrega, em poucos momentos, dados precisos de toda a jornada do cliente. Claro, no Brasil ainda temos muito a evoluir. Questões como a troca de dados de forma segura e a LGPD também entram em cena. Vale reforçar que, embora a IA continue a ser uma das vanguardas da inovação em 2025, o progresso ainda enfrenta obstáculos, como já mencionado, a integração complexa com sistemas existentes e preocupações com a privacidade dos dados.

Mais MKT em pauta: novidades no e-commerce tradicional

O live shopping vem ganhando força nos últimos anos. Em 2025, deve explodir. Fala-se muito sobre como os consumidores, além de uma jornada de compras completa, querem experiências e entretenimento. O live shopping combina os dois, permitindo que varejistas e marcas se conectem com os clientes de forma mais pessoal. No marketing, essa abordagem de vendas cria um senso de urgência e exclusividade, além de fortalecer as conexões entre marcas e produtos. Em um ambiente de varejo multicanal, onde cada ponto de contato é uma ferramenta poderosa para obter insights, o live shopping pode fornecer dados valiosos para ações de marketing.

Mas e as lojas físicas?

No Brasil, as lojas físicas de varejo continuarão seu renascimento em 2025. Por aqui, ainda são fundamentais para aumentar a retenção, a aquisição de clientes, a identidade da marca e fidelidade. As lojas físicas “do hoje” precisam oferecer experiências imersivas que não podem ser replicadas online e exibir identidades únicas. Esses espaços criam confiança e lealdade por meio de interações autênticas, promovem conexões pessoais e criam uma comunidade em torno da marca. À medida que os consumidores buscam conexões significativas, as lojas físicas oferecem o ambiente perfeito.

Muito se falou na NRF, em palestras de grandes marcas, sobre a expectativa de que mais marcas sigam o conceito das lojas boutique e de luxo, investindo mais fortemente em serviços e experiências dentro das lojas. Esses serviços não são apenas um extra agradável; eles também geram receita. Um exemplo clássico é a Sephora, que oferece o melhor em produtos de beleza, disponibiliza amostras e a experiência de testes grátis em todas as lojas, e, se você ainda tiver sorte, pode curtir uma trilha sonora com DJ ao vivo durante suas compras.

A reflexão que fica de tudo isso, com tantas informações e uma transformação acelerada, é que o trabalho dos profissionais de marketing será ainda mais desafiador nos próximos meses. Vai ser preciso agir com cautela, usar a IA com moderação, investir em ações e estratégias consistentes e reais, ter cuidado com a superexposição das marcas e, mais do que tudo, fazer o uso dos dados de maneira ética e segura.

RIW: R$ 3,8 bilhões em negócios no Rio de Janeiro em 4 dias de evento

Em entrevista exclusiva, Secretário de Transformação Digital do Rio de Janeiro, Mauro Farias, destaca importância da Rio Innovation Week para o estado

Durante os dias 13 e 16 de agosto, o Pier Mauá recebeu mais de 185 mil pessoas de vários lugares do país. A edição 2024  da  Rio Innovation Week reuniu 2 mil startups, 410 expositores e 3,3 mil palestrantes, relações que resultaram um total de R$ 3,8 bilhões em negócios. O evento traz como principal proposta a interligação da tecnologia, inovação, sustentabilidade e inclusão, em um único ambiente com diferentes formas de interação e conteúdo. 

A quarta edição da iniciativa contou com grandes pensadores, cientistas, acadêmicos, empreendedores, c-levels, representantes de governos e formadores de opinião, que trouxeram aos palcos e corredores do evento novos conhecimentos, pautas relevantes e discussões produtivas.

Entre as autoridades presentes, esteve o Secretário de Transformação Digital do Rio de Janeiro, Mauro Farias. O secretário foi um dos convidados da abertura do evento e também participou do painel “Sociedade Digital: A tecnologia transformando vidas”, ao lado da embaixadora geral para Assuntos Digitais do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estônia, Nele Leosk.

Em entrevista exclusiva para o Portal Newly, Mauro falou sobre a importância de receber o evento na cidade e trouxe outras pautas relevantes em destaque no setor de Transformação Digital carioca.  

“O Rio de Janeiro tem hoje o maior projeto de transformação digital do país e é um polo dos grandes eventos nacionais na área de tecnologia e inovação. Um evento como esse impulsiona negócios, gera novas oportunidades e conecta setores. Estamos presentes desde a primeira edição do Rio Innovation Week, e esse ambiente é fundamental para a troca de experiências e para avançarmos em ações prioritárias na gestão atual como o Governo Digital, que também tem impacto direto na economia estadual. O nosso foco é tornar o Rio 100% digital para a população”.

Evolução digital é pauta prioritária na agenda local

“Esse mês, por exemplo, celebramos mais uma grande conquista. O estado saltou da 16ª posição em 2021 para a 9ª em 2022, depois para o 3° lugar em 2023 e agora ocupa o 2° lugar no ranking nacional que mede a oferta de serviços digitais”, revela. O reconhecimento é promovido pela associação que reúne as entidades estaduais e públicas de tecnologia do país, a ABEP-TIC.

“O Rio Innovation Week já faz parte do calendário do Rio e foi uma honra participar e receber o público no espaço do PRODERJ, localizado na arena Sociedade 5.0, onde tivemos uma programação rica em temas para a gestão pública e para o cidadão fluminense. Durante o evento, realizamos a entrega do Prêmio Maturidade Digital, que avaliou a transformação digital nos órgãos estaduais e municípios, além de abordar diversos assuntos de destaque em palestras sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), Governo Digital, Inteligência Artificial e Segurança da Informação”.

Newly: Durante o painel Sociedade Digital você disse que uma das inspirações para o desenvolvimento do RJ Digital, programa de digitalização estadual, foi o modelo usado pelo governo da Estônia. Quais impactos diretos o formato trouxe ao RJ e como você estruturou o uso do modelo no estado, já que ele foi criado em uma cultura totalmente diferente?

“Uma das inspirações para o desenvolvimento do RJ Digital, programa de digitalização estadual, foi o modelo usado pelo governo da Estônia, no norte da Europa, reconhecido como um dos mais digitais do mundo. Hoje, por meio dessa iniciativa, temos um portal integrado de serviços digitais (www.rj.gov.br) que disponibiliza mais de 2.400 serviços ao cidadão fluminense. A plataforma é baseada no modelo estoniano, mas com nosso olhar voltado para o cidadão”, explica.

No portal, a população consegue encontrar de forma simples e fácil tudo o que precisa para resolver suas necessidades. “É possível, por exemplo, checar a situação da carteira de habilitação e do IPVA, acompanhar o desenvolvimento dos filhos nas escolas estaduais e até realizar a abertura de empresas. O portal, inclusive, tem todo o conteúdo traduzido para Libras e já foi premiado em acessibilidade por sua linguagem simples, inclusiva e objetiva. Esse olhar humano e para toda a população foi destaque durante a e-Gov Conference, realizada na Estônia em maio deste ano. O estado foi o primeiro representante da América do Sul a fazer uma palestra no maior evento de governo digital do mundo”.

Newly: Dentro dos diversos pilares da sua secretaria, o que você considera como essencial dentro da pauta de transformação digital de um estado?

“Sou um entusiasta do que chamam atualmente de cidadãocentrismo, que é esse olhar da transformação digital voltada para a população. Pensando nisso, fomos pioneiros no país na implantação do conceito figital, uma tendência que disponibiliza os serviços tanto de forma digital quanto física. Tenho certeza de que esse é o melhor modelo nesse processo de digitalização que vivemos hoje, garantindo o acesso para todos.”

“A mudança para o digital é um processo sem volta e, em breve, teremos novas gerações de cidadãos para quem a digitalização será rotina. Pessoas que irão se desacostumar com a burocracia e, assim, terão mais tempo para o lazer, para a família e para usufruir de uma melhor qualidade de vida. O Rio de Janeiro tem hoje um governador entusiasta da tecnologia e do tema, que criou a primeira secretaria de estado do país com foco na transformação digital. Temos órgãos integrados e comprometidos em transformar o Rio de Janeiro em um estado cada vez mais digital. A transformação digital transforma vidas”, conclui Mauro Farias.

Cobertura Mondoni Press