Natalia Rossi

Repórter especializada em Tech e Inovação do Newly. Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo.

Menos é mais: nano e microinfluenciadores são o futuro do marketing de influência

Com públicos menores, contas de até 10 mil seguidores se aproximam mais das pessoas e ajudam empresas a atingir novas audiências

Ao entrar em qualquer rede social, é fácil se perder em meio a diversos conteúdos patrocinados e propagandas de produtos diferentes feitas pelos influenciadores digitais que preenchem nossos feeds. E, muitas vezes, passamos por tais postagens sem pensar duas vezes ou até mesmo duvidar da veracidade das opiniões expressas por aqueles que seguimos. Afinal, quanto vale uma opinião? 

Tal problema não parece atingir tanto os chamados nanoinfluenciadores (aqueles que possuem entre mil e 10 mil seguidores) e os microinfluenciadores (com até 100 mil seguidores), que aos poucos se tornaram o destino das marcas que querem causar impacto e alcançar diferentes públicos.

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“Muitos influenciadores têm um grande número de seguidores, mas não engajam as pessoas. Aliás, hoje, ter muitos seguidores não define o poder de um influenciador. Já aqueles que engajam, mobilizam as pessoas, têm autoridade ao ponto de fazer os internautas experimentarem novos produtos e marcas. Esses sim são considerados ‘influenciadores’ de verdade”, explica Thábata Mondoni, CEO da agência de comunicação Mondoni Press.

Nano e microinfluenciadores possuem público altamente engajado. Por ter menos seguidores e um público composto de amigos, familiares e conhecidos, é mais fácil para tais criadores de conteúdo identificar quais tipos de postagem chamam mais atenção e como seus seguidores respondem às publicações, seja pelos comentários ou até mesmo mensagens diretas.Além disso, os usuários de redes sociais estão cada vez mais interessados em conteúdo real. Segundo dados do Lisboa Web Summit de 2018, cerca de 78% das pessoas preferem ver conteúdos mais reais, e 76% preferem conteúdos recomendados por outros usuários e não pelas plataformas.

Para as empresas, é bem mais vantajoso procurar criadores menores, não só pelo engajamento mas também pelo quesito financeiro. “Depois do boom dos influenciadores com centenas de milhares de seguidores, que passaram a cobrar de R$15 mil a grandes montantes de dinheiro por publicações, muitas empresas passaram a apostar nos microinfluenciadores e nanoinfluenciadores”, explica Thábata. “O público na internet tem buscado cada vez mais pessoas com as quais se identificam, que possuem um estilo de vida parecido. A admiração e referência são importantes, mas é preciso gerar uma identificação real. O público precisa ver algo e entender que aquilo também é possível e acessível para ele. Caso contrário, o principal objetivo de toda ação de marketing não acontecerá: a venda”.

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Os patrocínios vem como uma ajuda para os influencers e costumam ser bem aceitos pelo público. Mayara Clemente, 23, soma mais de 6 mil seguidores em sua conta de lifestyle no Instagram (@mayaraclementee). Em agosto de 2020, Mayara fez sua primeira publicação patrocinada divulgando o novo lançamento da Omo: Omo Sanitiza & Higieniza, produto que afirma ter eficácia 100% comprovada contra o vírus da Covid-19. 

“Por ser minha primeira publicidade e com uma marca tão conhecida foi uma experiência bem marcante, inesquecível”, comenta Mayara sobre a experiência com a marca. “Muitos dos meus seguidores ficaram felizes e surpresos com a campanha. Recebi várias mensagens no direct e WhatsApp me parabenizando e perguntando como eu havia conseguido fazer uma campanha da Omo. E as publicações também geraram muitas curtidas e comentários, o que ajuda no engajamento”.

Antes de se comprometer com um influenciador, as empresas precisam conhecer bem o público ao qual pretendem falar. “É preciso entender se o discurso daquele influenciador está de acordo com a imagem que a marca quer passar. Muitos deles caem em contradição quando essa análise não acontece anteriormente e prejudica todo o trabalho de divulgação da marca contratante”, explica Thábata. 

Ester Barbosa Galdino de Almeida, 22, acompanha tanto macro e mega influenciadores (entre 100 mil e 1 milhão de seguidores) quanto nano e micro influenciadores. Ela declara ter mais confiança em conteúdos de criadores menores, de nicho e daqueles que acompanha há muito tempo. “Quando o influenciador é pequeno, tento engajar mais. Até esses maiores eu sigo desde quando eles eram pequenos e presto mais atenção em patrocínios que se encaixam no nicho de atuação deles”, explica. 

“Tenho visto muitas marcas grandes errarem com suas ações. Gastam muito dinheiro, fazem eventos caros, mas quando os influenciadores chegam, nada acontece e não gera conteúdo para eles”, comenta Thábata. Segundo a CEO, grandes influenciadores chegam a cobrar mais de R$10 mil por publicação, podendo atingir valores maiores. Já os nano e microinfluenciadores cobram bem menos, entre R$200 e R$1 mil. “No entanto, há muitos que aceitam postar em troca do próprio produto. Tudo vai depender da negociação”, finaliza.

 

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Onde estão as pérolas no mercado de fornecedores de tecnologia?

Por Omar Tabach*

Omar Tabach – sócio-diretor da TGT Consult

Normalmente, quando pensamos no mercado de tecnologia no Brasil, imediatamente vem à memória grandes nomes multinacionais, como Microsoft, IBM, Accenture, Capgemini, Atos, AWS e diversas outras. Mas, ao analisar com um pouco mais de atenção, hoje estamos diante de uma realidade muito diferente. Vou lhe mostrar…

A pandemia da Covid-19 impulsionou maior urgência do mercado brasileiro para a transformação digital e isso acelerou também novas perspectivas e mudanças de consumo e oferta. Em parceria com a empresa global ISG, a TGT Consult tem acompanhado este avanço nos últimos 3 anos, por meio de levantamentos periódicos. E os dados não mentem: das mais de 700 empresas identificadas, 282 estão em boas condições competitivas e das 107 empresas consideradas líderes – que têm um portfólio de serviços diferenciado e uma posição de mercado expressiva – 42% são empresas genuinamente brasileiras. 

Movimentos de consolidação como os que ocorreram nas duas décadas passadas criaram gigantes de serviços e abriram oportunidades de mercado para o surgimento e crescimento  de várias empresas especializadas em serviços e produtos específicos de tecnologias. Algumas que valem ser citadas são as com foco em segurança cibernética, analytics, gestão de serviços em cloud, automação de teste e inteligência artificial. 

Como exemplo, é possível citar o movimento de deslocar a infraestrutura para serviços de nuvem. Se por um lado houve uma diminuição da demanda por provedores Data Centers locais, essa mudança abriu um oceano de oportunidades para gestores de cloud managed services e cloud híbridas. Há pouca ou nenhuma barreira de entrada nesse nicho, e aqueles que oferecem o serviço crescem rapidamente, com soluções de alta qualidade e de forma muito competitiva. Não é exagero dizer que 100% dos nossos clientes de consultoria estão em movimentos de migração para nuvem e vemos cada vez mais a escolha por empresas brasileiras para gerenciamento destes serviços.

Apesar do foco deste artigo não ser as grandes empresas, elas têm um papel importante na valorização do mercado de nicho. Grandes empresas globais aprenderam, talvez com a gigante de software ERP, da SAP, a utilizar um ecossistema de parceiros locais mais fortes, não apenas como forma de consolidar um canal de vendas, mas também para entregar soluções de forma mais eficiente e localizada. Neste movimento podemos citar: AWS, Google, Microsoft, ServiceNow, Salesforce, entre outras.

Trata-se de um movimento cíclico, que faz com que as empresas de nicho cresçam tanto em mercado como em capacidade de inovação, e se tornem alvos de aquisição das gigantes multinacionais de TI.  As grandes aquisições deram lugar aos compradores em série, não mais no atacado, mas agora no varejo, adquirindo pequenas e médias empresas com um apetite voraz. Não é à toa que se entrarmos nas páginas de aquisições da Accenture, Atos ou Ernst & Young, por exemplo, veremos uma média de uma aquisição por trimestre.

Comparando 2018, quando 15 empresas brasileiras foram citadas entre as líderes e 6 entre as Rising Stars – empresas que têm um “portfólio promissor” e um “alto potencial futuro” – com  2020, quando 42 empresas foram citadas entre as líderes e 16 entre as Rising Stars, constatamos aumento considerável que coloca o mercado tecnológico brasileiro lado a lado com grandes nomes internacionais. Com isso, é possível compreender que a lente deve estar nos detalhes e nos subsegmentos. É lá que estão as pérolas brasileiras que nossos clientes querem como fornecedores e que as grandes empresas vão almejar adquirir. 

*Omar Tabach é sócio-diretor da TGT Consult

 

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