DispatchTrack pretende entrar no Brasil com plataforma de IA para orquestrar entregas

Empresa americana já fechou seu primeiro negócio no país e inicia expansão por São Paulo com tecnologia que combina frota própria e plataformas terceirizadas de entrega de forma automática

A DispatchTrack, empresa americana de tecnologia para logística, está iniciando sua operação no mercado brasileiro. A companhia já fechou seu primeiro negócio no país, está traduzindo sua plataforma para o português e definiu São Paulo como ponto de partida para a expansão nacional.

A chegada ocorre em meio à estratégia de crescimento da empresa na América Latina, região onde atua há mais de uma década. Com sede global em San José, na Califórnia, a DispatchTrack mantém operações em países como Chile, Colômbia, México e Peru e agora também começa a avançar na Argentina.

Um dos principais produtos que a companhia pretende escalar na região utiliza inteligência artificial para conectar e gerenciar, em uma única operação, diferentes alternativas de entrega, desde a frota própria de uma empresa até plataformas terceirizadas.

“Nosso maior diferencial é conectar diferentes provedores de distribuição e a própria frota do cliente. De forma automática, por meio da inteligência artificial, orquestramos os pedidos para que sejam realizados pela alternativa mais adequada”, explica Carlos Díaz, executivo da DispatchTrack.

Na prática, o sistema acompanha a disponibilidade dos entregadores, define rotas e distribui os pedidos automaticamente. Quando identifica que a capacidade própria não será suficiente para atender à demanda, pode buscar motoristas disponíveis em outras unidades da companhia e, posteriormente, recorrer a provedores externos.

Nesse estágio, a tecnologia realiza uma espécie de leilão eletrônico entre diferentes plataformas de entrega. A escolha pode considerar critérios definidos previamente pelo cliente, como preço, velocidade e capacidade para transportar determinados volumes.

Todo o processo ocorre sem necessidade de intervenção humana, segundo Díaz. A automação começa no recebimento do pedido — seja pelo e-commerce, call center ou outro canal — e passa pela definição do entregador, roteirização, acompanhamento da entrega e eventual acionamento de terceiros. “Isso permite escalar a capacidade de entrega de forma exponencial. Não requer intervenção humana”, afirma.

Demanda aumenta sem exigir frota ociosa

Um dos exemplos citados pelo executivo é o da rede Papa John’s. Em períodos normais, os pedidos podem ser direcionados prioritariamente aos entregadores próprios, com a tecnologia calculando as rotas e antecipando novas atribuições conforme os motoristas retornam às lojas.

O cenário muda em grandes picos de consumo, como uma final de Copa do Mundo. Se a frota disponível não consegue absorver o aumento repentino dos pedidos, o sistema passa automaticamente a buscar outras possibilidades de entrega.

A proposta é permitir que empresas trabalhem com uma estrutura própria dimensionada para sua operação habitual sem necessariamente manter uma grande capacidade ociosa apenas para responder aos momentos excepcionais de demanda. A DispatchTrack afirma já contar com cerca de 20 casos de uso dessa solução na América Latina, incluindo operações de farmácias, pizzarias e restaurantes em mercados como Chile, Colômbia e Peru.

Brasil entra na estratégia latino-americana

A expansão brasileira também deverá aproveitar a presença regional dos clientes multinacionais da DispatchTrack. Uma das estratégias da companhia é acompanhar empresas que já utilizam suas soluções em determinados mercados conforme elas ampliam o relacionamento para outros países.

Díaz cita como exemplo a Sika, multinacional do setor químico com a qual a DispatchTrack já trabalha em sete países e pretende ampliar a atuação para mercados como Brasil e Argentina.

No Brasil, a primeira etapa estará concentrada em São Paulo. O nome do primeiro cliente brasileiro não foi divulgado por questões de confidencialidade.

A entrada no país faz parte de uma expansão latino-americana mais ampla da companhia. Além da estrutura regional desenvolvida a partir do Chile, a DispatchTrack possui escritórios no México e em Bogotá, uma operação menor no Peru e está iniciando atividades na Argentina.

Agora, com o primeiro contrato brasileiro fechado e a adaptação da tecnologia para o português, o desafio será ganhar escala em um dos maiores e mais complexos mercados logísticos da região.

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