CONARH 2025: aprendizados iniciais e o lugar do Brasil no debate global sobre o futuro do trabalho

O CONARH 2025 abriu sua 51ª edição com a força de quem celebra 60 anos de trajetória e carrega a responsabilidade de ser o maior congresso de gestão de pessoas da América Latina. A cada ano, o evento deixa de ser apenas um espaço de conteúdo para se tornar um laboratório vivo, onde ideias e práticas se confrontam e apontam o caminho para o futuro do trabalho.

Os dois primeiros dias trouxeram reflexões que já não podem ser ignoradas. A saúde social ganhou destaque como tema central das organizações. Não basta oferecer benefícios, é preciso criar ambientes de pertencimento e acolhimento. A inteligência artificial é outro eixo central. Longe do conceito de ameaça, a IA passa a ser apresentada como recurso de análise preditiva e de apoio ao RH, capaz de transformar dados em decisões estratégicas e liberar lideranças para focar em pessoas. 

A remuneração, antes vista como questão operacional, aparece em mesas de discussão como alavanca competitiva, diretamente ligada à retenção, ao engajamento e ao desempenho. O segundo dia reforçou a conexão entre empregabilidade e responsabilidade social. Programas de entrada para jovens não foram tratados apenas como instrumentos de inclusão, mas como estratégia de marca empregadora e reputação corporativa. Esse movimento revela que o RH já não pode mais ser compreendido como área de suporte. Ele ocupa agora o espaço de protagonista na construção da imagem e da competitividade de uma empresa. Além disso, os debates sobre aprendizado corporativo confirmam a mudança de paradigma. Não se fala mais de treinamentos isolados, mas de culturas de aprendizado contínuo, dinâmicas, personalizadas e alinhadas à estratégia de negócio.

Esses primeiros dias mostram que o RH deixou definitivamente de ser apenas uma área de suporte. Ele é o eixo que articula tecnologia, saúde, cultura e liderança em torno de um mesmo objetivo: gerar impacto em pessoas e abrir novos negócios de forma integrada.

Ao ampliar o olhar para além do evento, fica claro que o Brasil tem um papel singular no debate global sobre o futuro do trabalho. O país combina a urgência de resolver desigualdades históricas com a oportunidade de experimentar soluções que unem inclusão, inovação e cuidado. Aqui, discutir empregabilidade de jovens significa enfrentar a base da pirâmide social. Falar de saúde mental corporativa significa enfrentar o impacto de jornadas intensas e ambientes que ainda sofrem com assédio e sobrecarga. Debater tecnologia significa pensar em como aplicar inteligência artificial em um país que convive com realidades distintas, da alta sofisticação digital aos problemas de inclusão básica.

O CONARH 2025 mostra que, nesse cenário, o Brasil não é apenas espectador. É um campo de testes e referência para modelos que podem inspirar outras regiões. O que acontece aqui interessa ao mundo porque conecta desafios complexos a soluções criativas, que nascem da necessidade de lidar com contradições e de buscar o equilíbrio entre eficiência operacional e pessoas.

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