
Mais de 28 mil novos CNPJs foram criados no setor de tecnologia entre janeiro e junho, impulsionados por IA, nuvem e cibersegurança
O Brasil registrou a abertura de mais de 28 mil novas empresas de tecnologia no primeiro semestre de 2025, um avanço de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Em média, surgiram 4,7 mil novos CNPJs por mês na atividade de informação e comunicação, de acordo com levantamento da Contabilizei feito a partir de dados da Receita Federal.
O movimento reforça a vitalidade do setor, que já havia crescido em 2024 após uma queda expressiva no ano anterior. “Todas as novas empresas foram abertas no setor de serviços e 88% são microempresas e empresas de pequeno porte”, diz Guilherme Soares, vice-presidente executivo de operações da Contabilizei. “Esse crescimento pelo segundo ano consecutivo mostra que o mercado segue aquecido e as projeções são bastante otimistas”.
Segundo Soares, a recuperação marca uma virada após a retração de mais de 12% registrada em 2023. “A hipótese é que essa expansão tenha sido potencializada por causa da ascensão de três tecnologias: inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança”.
O cenário é confirmado pelo iMonitor IT, estudo trimestral da Advance, que aponta expectativa de crescimento de 17,5% para 2025 e de 18% em 2026. Mesmo diante de incertezas políticas e dos possíveis impactos do tarifaço dos Estados Unidos, o setor projeta expansão. “Até agora, as tarifas não impactam diretamente a prestação de serviços de TI. Qualquer efeito seria indireto”, destaca o relatório.
Entre as principais oportunidades mapeadas para 2025 estão: soluções de inteligência artificial, computação em nuvem, cibersegurança, automação de processos, análise de dados e modernização de sistemas legados.
A alta de novos CNPJs também reflete mudanças no perfil profissional. O consultor de redes Alencar Frizzas, 29 anos, abriu sua empresa em janeiro. “Depois de quase dez anos como CLT, vi no CNPJ uma escolha estratégica para conquistar maior flexibilidade e independência”, diz. Instalado em Paulínia (SP), Frizzas buscou conciliar carreira e qualidade de vida. “O CNPJ foi o símbolo dessa nova fase, a concretização de um projeto de vida: viver de forma mais leve”.
Já a professora Giovana Zulato, 41 anos, abriu empresa para reorganizar sua vida tributária. Atuando em cursos de pós-graduação desde 2017, ela via o imposto de renda aumentar a cada ano. “Ao abrir um CNPJ, consegui reduzir o impacto da alíquota e ampliar minha atuação, incluindo treinamentos e palestras”.
No total, o país registrou a abertura de 2,6 milhões de novas empresas no 1º semestre, um salto de 22% em relação a 2024. O setor de serviços puxou a alta (26%), seguido por indústria (21%) e comércio (14%).
Regionalmente, o destaque ficou com o Ceará, líder no crescimento percentual de novos negócios (33,9%). Entre as capitais, Porto Alegre aparece na primeira posição, com alta de 36,7%, à frente de Manaus, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.
“O dinamismo do empreendedorismo brasileiro mostra que, mesmo em um ambiente desafiador, há espaço para inovação e crescimento”, conclui Soares.






