Ao analisar market share, a primeira tendência é focar apenas nos números divulgados pelas empresas líderes. Contudo, o verdadeiro desafio reside em traduzir a posição relativa de cada companhia em um setor extremamente fragmentado e em rápida transformação.
Para esta análise, a metodologia utilizou duas âncoras confiáveis. A primeira, com receita de R$ 11,656 bilhões, apresenta um market share oficial de 16,4%. A segunda, Farmácias Pague Menos, registrou R$ 3,975 bilhões, com 6,6% de participação. A partir destas referências, foi possível calcular o tamanho total do mercado no 2T25, chegando a aproximadamente R$ 65,65 bilhões, por meio da fórmula inversa do market share.
Com este denominador comum, os demais players puderam ser dimensionados: o Grupo Panvel registrou R$ 1,408 bilhão (2,1%), Farmácias Nissei alcançaram R$ 945 milhões (1,4%), e a Rede d1000 chegou a R$ 635 milhões (1,0%). Este exercício revela um setor em que duas empresas concentram mais de 23% do mercado, enquanto outras três, em conjunto, atingem 5%.
Entretanto, a participação na receita não deve ser o único foco. O trimestre demonstrou que as métricas de Vendas nas Mesmas Lojas (Same Store Sales – SSS) e a digitalização são vetores que explicam a performance e a competitividade. A Pague Menos, liderada por Jonas Marques, por exemplo, demonstrou liderança em SSS com +18,1%, enquanto a Panvel avançou dois dígitos, sustentada por suas marcas próprias.
Na frente da digitalização, a RD, liderada por Renato Raduan, e a Panvel, do CEO Julio Mottin Neto, superaram 24% das vendas totais em canais digitais. A Pague Menos superou 18,7%. Estes resultados mostram que, se fossem negócios independentes, as operações digitais estariam entre as maiores redes de farmácias do país.
A leitura estratégica indica que o market share do futuro não se medirá apenas pelo faturamento, mas pela capacidade de gerar valor a longo prazo. Esta capacidade decorre do uso de dados, da capilaridade digital e da habilidade de engajar clientes em múltiplos canais. O setor farmacêutico, antes caracterizado pela expansão física, agora se define pelo equilíbrio essencial entre escala, tecnologia e produtividade por loja.






