Participei esta semana de uma live organizada pelo LinkedIn para jornalistas. O tema era o novo feed. A empresa foi direta: modelos de linguagem de grande escala, os LLMs, agora operam dentro do sistema de ranking da plataforma para decidir o que cada usuário vê e em que ordem.
A mudança parece técnica. Não é.
Por mais de uma década, o LinkedIn funcionou como a maioria das redes sociais: o algoritmo olhava para sinais de comportamento, palavras-chave no post, histórico de interação e rede de conexões para montar o feed de cada pessoa. Era um sistema de correspondência por padrão, não por significado. Se você escrevia “inteligência artificial” e alguém clicava em posts com esse termo, você aparecia para ela. Simples assim, e com todas as distorções que essa simplicidade carrega.
O que o LinkedIn anunciou é diferente na raiz. O novo sistema não lê apenas o que está escrito, lê o que o post quer dizer. Um modelo de linguagem processa o contexto, identifica o tema real, avalia para quem aquele conteúdo é relevante e distribui além da rede imediata do autor. Isso significa que um texto técnico sobre segurança de dados pode chegar a um CIO de uma empresa que nunca te seguiu, porque o sistema entendeu que aquela pessoa tem interesse naquele assunto, não apenas que ela clicou em posts similares no passado.
A segunda parte do anúncio foi mais concreta. O LinkedIn vai combater ativamente o engagement bait: posts com vídeos sem relação com o texto, conteúdo de thought leadership reciclado sem substância, o infame “comente SIM se você concorda”. A plataforma prometeu que o feed vai deixar de ser uma competição de popularidade para se tornar relevante por interesse real.
O LinkedIn faz esse anúncio da mudança do feed de tempos em tempos, geralmente acompanhando uma mudança de algoritmo ou uma pressão de criadores que percebem queda de alcance. A diferença desta vez é que a infraestrutura por trás da promessa mudou de escala. LLMs não são um ajuste de parâmetros, são uma camada nova de interpretação. Se a intenção for cumprida, o impacto no comportamento de quem produz conteúdo profissional será real.

Quem sempre jogou esse jogo com conteúdo real não precisa mudar nada. Quem construiu alcance em cima de fórmula tem um prazo, e ele começa agora.
Armindo Ferreira é jornalista com 22 anos de cobertura de tecnologia. É publisher do Blog do Armindo da newsletter Techvibeez no Substack.








