Fraude de identidade sofisticada dispara na América Latina, aponta estudo

Um levantamento conduzido pela Unico em parceria com a Liminal, empresa de inteligência acionável, revela que fraudes de identidade sofisticadas já respondem por 48,3% dos casos registrados na América Latina – mais que o dobro da média global de 23%.

A fraude de identidade na América Latina deixou de ser um problema isolado e passou a operar como uma rede coordenada, impulsionada pela inteligência artificial generativa. É o que aponta o Relatório de Inteligência sobre Fraude de Identidade, produzido pela Unico — maior rede de verificação de identidade da região — em parceria com a Liminal, empresa especializada em inteligência de mercado. Segundo o estudo, ataques sofisticados já representam 48,3% dos casos registrados na América Latina, número mais que duas vezes superior à média mundial, de 23%.

A pesquisa reuniu dados coletados pela própria Unico entre junho de 2025 e abril de 2026, cruzados com projeções da Liminal sobre o mercado global de fraude e risco. As perdas financeiras ligadas a esse tipo de crime devem saltar de cerca de US$ 25 bilhões em 2025 para US$ 55,3 bilhões até 2030 — um crescimento superior a 120% em menos de cinco anos.

O custo de fraudar caiu, e o volume de ataques disparou

Um dos achados centrais do levantamento é a queda expressiva no custo operacional para aplicar golpes sofisticados: o valor necessário para executar esse tipo de ataque despencou mais de cem vezes, à medida que ferramentas de IA generativa se popularizaram por meio de assinaturas acessíveis. Como consequência direta dessa democratização tecnológica, quase 90% dos profissionais que atuam no combate a fraudes apontam hoje conteúdo sintético — documentos adulterados e perfis automatizados que imitam pessoas reais — como uma das ameaças mais urgentes do setor.

O estudo também identificou um caso emblemático dessa nova lógica em rede: um único perfil fraudulento foi utilizado para gerar 949 identidades diferentes, com ataques direcionados a 30 empresas distintas — evidência do caráter industrial e persistente que essas operações vêm ganhando.

Brasil concentra a vanguarda da fraude sintética global

Ao aprofundar a análise por país, o levantamento situa o Brasil no epicentro do fenômeno. São Paulo concentra sozinho 22% de todas as ocorrências nacionais, mais do que a soma de toda a região Sul, enquanto um grupo de estados nordestinos (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte) responde por 11,5% das tentativas registradas.

Fernanda Beato, diretora-geral da Unico no Brasil, atribui esse protagonismo à combinação entre um ecossistema financeiro digital avançado – impulsionado pelo Open Finance e pela LGPD – e o volume de transações que essa maturidade tecnológica atrai. Segundo ela, esse mesmo ambiente sofisticado passou a ser alvo de investidas em massa, incluindo cerca de 500 mil tentativas de deepfake bloqueadas na região.

Verificação de identidade deixa de ser exigência regulatória e vira estratégia de negócio

O relatório também traça a evolução técnica das fraudes por camadas de sofisticação. Falsificações de nível intermediário – que usam imagens ou vídeos manipulados de forma mais simples – respondem por 45,8% dos casos monitorados. Já os ataques avançados, que combinam múltiplas técnicas como deepfakes e adulterações físicas complexas, somam 23,3% do total global – mas esse índice sobe para perto de 50% quando o recorte é a América Latina especificamente.

Outros dados citados no estudo reforçam o tamanho do problema: segundo a IRONSCALES, um único ataque de nível intermediário já custa mais de US$ 280 mil por empresa, valor que ultrapassa US$ 500 mil em quase 20% dos casos. A TechRadar, por sua vez, estima que as perdas globais com fraude financeira já superam US$ 400 bilhões anuais.

Diante desse cenário, a Unico defende que a verificação de identidade precisa deixar de ser tratada apenas como um requisito de conformidade e passar a integrar a estratégia central de proteção de receita e reputação das instituições financeiras. A empresa afirma ter realizado mais de 1,5 bilhão de autenticações em 2025, com índice de precisão de 99,98%, apoiado em tecnologia de prova de vida que combina biometria, sinais comportamentais e dados do dispositivo.

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