Anatel endurece regras contra provedores ligados ao crime: medida é suficiente?

Anatel_Foto: Agência Brasil

A recente decisão da Anatel de bloquear provedores de internet associados a organizações criminosas levanta uma questão urgente para o setor corporativo: apenas medidas punitivas serão suficientes para conter o avanço da criminalidade digital no país?

Segundo Daniel Tieppo, especialista em cibersegurança e Diretor Executivo da HexaDigital, o esforço da Anatel é bem-vindo, mas precisa ser acompanhado de um movimento robusto do setor privado rumo a uma conectividade mais segura.

O crime organizado tem operado com tecnologia de ponta. Enquanto isso, muitas empresas ainda se apoiam em estruturas frágeis e vulneráveis à interceptação, invasões e vazamentos. Bloquear provedores é apenas parte da equação. Precisamos garantir redes mais protegidas e confiáveis desde a origem”, aponta.

Com atuação direta na construção de ambientes digitais seguros para empresas de diferentes portes, Tieppo vê um aumento na demanda por soluções que vão além do firewall tradicional: redes privadas, observabilidade contínua e mecanismos de redundância com autenticação em múltiplos níveis já são realidade para organizações que desejam manter suas operações blindadas.

Segurança digital não se faz apenas com monitoramento pontual ou cortes reativos. É preciso visibilidade de ponta a ponta, com infraestrutura preparada para detectar e responder a comportamentos anômalos em tempo real”, reforça o executivo, destacando a importância da observabilidade e da integração entre conectividade e cibersegurança.

O episódio reforça que o combate ao uso indevido da internet vai além do rastreamento de provedores e passa, inevitavelmente, por um novo padrão de infraestrutura digital que alie resiliência, visibilidade e inteligência embarcada. Nesse contexto, empresas que não priorizarem a conectividade segura podem se tornar alvos ainda mais expostos em um cenário cada vez mais complexo.

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