Especialistas afirmam que mercado já não discute mais se vai usar inteligência artificial, mas como implementar a tecnologia sem perder governança, segurança e controle de custos.
A inteligência artificial deixou de ser promessa para virar prioridade estratégica nas empresas. Mas, junto da corrida por inovação, surgiram preocupações sobre segurança, governança, retorno financeiro e responsabilidade humana em decisões automatizadas. Esses foram alguns dos principais temas discutidos durante o The Tech Summit 2026, realizado nesta segunda-feira (11), em São Paulo.
O evento reuniu executivos de tecnologia de diferentes setores para debater os impactos da adoção acelerada da IA. Para Rafael Narezzi, um dos organizadores do encontro, o mercado vive uma transformação evidente em relação às primeiras edições. “Hoje, as empresas estão cada vez mais buscando soluções voltadas para crescimento, mas esse crescimento exige governança, visão estratégica e, principalmente, velocidade”, afirmou. Narezzi destacou ainda que uma das maiores preocupações atuais é o custo da inovação. “Os boards e diretores querem cada vez mais inovação, mas sempre existe a pergunta: a qual custo?”, disse.

O consenso entre os participantes do Tech Summit foi claro: a inteligência artificial é inevitável, mas exige atenção. Alex Julian, CIO com mais de 20 anos de experiência em tecnologia da informação, alertou para o risco de adoções impulsivas e sem direcionamento estratégico.
“A gente entulha soluções em cima de soluções e depois descobre que criou mais custos do que inovação”, afirmou. Seu painel serviu como preparação para o seguinte, focado justamente nos impactos da inteligência artificial nas empresas e na necessidade de colocar as pessoas no centro dessa transformação.

Para os executivos, curiosidade, capacidade de experimentação e tolerância ao erro serão competências centrais daqui para frente. “Se você não errar, você não está tentando”, resumiu Francini Cristelo, CIO | Business Transformation da PepsiCO, ao defender que as empresas precisam criar ambientes mais seguros para testes e aprendizado.
Em outro painel, os participantes demonstraram preocupação com o retorno financeiro real da tecnologia. Apesar dos ganhos de produtividade, muitos executivos afirmaram que os investimentos em IA — somados aos custos crescentes de segurança digital — ainda não apresentam resultados proporcionais. Ainda assim, ignorar a tecnologia não parece uma opção. “Quem não estiver usando IA hoje vai ficar para trás”, afirmou Mateus Neves Barreto, CTO da Solfácil.
A discussão também abordou um problema cada vez mais comum dentro das empresas: o uso informal de ferramentas de IA por funcionários sem conhecimento das lideranças.
“Pode ter gente usando IA que eu não sei”, admitiu Sergio Hirase, CTO da Mycon Consórcio Digital.
Por isso, Jorge Luís Cordenonsi, CIO da AVIVA, defendeu a criação de políticas claras de governança. Ele contou que sua primeira medida ao assumir recentemente a liderança de tecnologia da empresa foi definir quais ferramentas de IA poderiam ser usadas oficialmente e exigir ROI (Return on Investment) claro antes da aprovação de novos projetos.
Ao final do encontro, os executivos compartilharam reflexões sobre o impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho. Enquanto Julio Padilha, CISO da VW & Audi – Volkswagen do Brasil, destacou que nem mesmo especialistas da Europa e de outras partes do mundo possuem respostas definitivas sobre os impactos futuros da tecnologia, Sergio Hirase pediu bravura diante do cenário de transformação: “A gente ainda só está no começo dessa jornada. Abracem a mudança”, concluiu.








