Um estudo apoiado por tecnologia de inteligência artificial mostra que a análise de exames de ressonância magnética é capaz de identificar alterações cerebrais associadas ao Alzheimer com até três anos de antecedência, segundo dados da Entelai, empresa especializada em soluções de diagnóstico assistido por IA.
Antes que os primeiros esquecimentos apareçam, o cérebro já pode estar passando por transformações silenciosas. É o que indicam pesquisas recentes na área de neurotecnologia: a união entre inteligência artificial e exames de ressonância magnética permite detectar alterações cerebrais até três anos antes de um paciente receber o diagnóstico formal de Alzheimer. A descoberta abre caminho para investigações mais precoces e para um planejamento terapêutico mais eficaz.
O Alzheimer segue como a principal causa de demência no planeta e um dos maiores desafios enfrentados pela medicina diante do envelhecimento populacional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o mundo já conta com mais de 55 milhões de pessoas vivendo com algum tipo de demência, e a doença responde por até 70% desses casos. As projeções indicam que esse número pode quase triplicar até meados do século.
Vale destacar que a inteligência artificial não substitui o diagnóstico médico. O que ela oferece é um reforço na capacidade dos profissionais de saúde de enxergar mudanças cerebrais em estágios muito iniciais, quando ainda não são perceptíveis a olho nu. Ao entregar dados quantitativos e objetivos, a ferramenta se soma à avaliação clínica tradicional, tornando as decisões médicas mais embasadas.
Da leitura visual à análise de dados
Essa tecnologia já circula pelo cotidiano hospitalar brasileiro. Um dos exemplos é o Agent Neuro, plataforma desenvolvida pela Entelai, empresa argentina fundada em 2017 e presente no país desde 2020, com aprovação da Anvisa e uma base de atuação que já ultrapassa 150 mil análises de pacientes mensais em toda a América Latina.
O funcionamento do sistema é direcionado a apoiar radiologistas e neurologistas na leitura quantitativa de ressonâncias magnéticas cerebrais. A ferramenta mede automaticamente estruturas como o hipocampo, área ligada à memória e uma das primeiras a sofrer os efeitos do Alzheimer, além de outras regiões associadas a quadros neurodegenerativos. Cada resultado é comparado a parâmetros de referência de pessoas da mesma idade e sexo, o que possibilita identificar variações no volume cerebral e monitorar sua progressão ao longo do tempo, sempre que há exames anteriores para comparação.
Um recurso que já foi restrito a poucos centros
Até pouco tempo atrás, esse tipo de análise volumétrica cerebral era privilégio de grandes centros médicos de referência. Os custos elevados e a exigência de softwares especializados obrigavam muitos pacientes a se deslocar para outras cidades em busca desse tipo de investigação.
Esse quadro vem mudando à medida que essas soluções chegam a hospitais e clínicas de diferentes regiões do país, inclusive no interior. “A Inteligência Artificial não substitui a experiência médica. Ela amplia a capacidade do especialista de perceber alterações que muitas vezes ainda não são visíveis ao olhar humano e acrescenta dados objetivos à análise, permitindo acompanhar sua evolução com maior precisão”, explica Mauricio Farez, neurologista, CEO e cofundador da Entelai.
Ganhar tempo pode transformar o cuidado ao paciente
Embora o Alzheimer ainda não tenha cura, identificar suas primeiras manifestações pode alterar significativamente a forma como o caso é conduzido. Um diagnóstico antecipado abre espaço para investigações clínicas mais completas, acompanhamento mais preciso da evolução da doença, avaliação de diferentes estratégias terapêuticas e orientação mais clara a pacientes e familiares sobre os próximos passos, qualidade de vida e cuidados de longo prazo.
Para Farez, o principal ganho da inteligência artificial aplicada à medicina está justamente em municiar o profissional de saúde com informações que tornem suas decisões mais assertivas. “Em doenças neurodegenerativas, ganhar tempo significa ampliar as possibilidades de investigação, acompanhamento e planejamento terapêutico. A tecnologia só faz sentido quando melhora a experiência do profissional de saúde e, principalmente, a vida do paciente”, conclui o especialista.








