A expansão acelerada dos data centers nos Estados Unidos já provoca protestos de moradores vizinhos a essas estruturas, e o Brasil caminha para o mesmo dilema.
Data centers são conjuntos de servidores usados para calcular as operações matemáticas por trás da inteligência artificial que precisam de dois recursos essenciais: energia elétrica e água para resfriamento. É esse segundo ponto que vem gerando conflito.
Reportagens do Valor Econômico e do Infomoney mostram moradores do Arizona e da Geórgia relatando queda na pressão da água e contaminação por nitrato ligada ao descarte irregular de resíduos industriais. A congressista Alexandria Ocasio-Cortez chegou a denunciar no Congresso americano mudanças na cor da água de comunidades próximas a complexos de tecnologia.
O barulho é outro problema. Operando 24 horas por dia, os data centers geram um zumbido constante de baixa frequência, descrito por moradores como um “aspirador de pó gigante ligado na sala”. Pior que o som audível é o infrassom, vibração que atravessa paredes de concreto e chega a ser sentida a quilômetros de distância, associada a relatos de insônia, dores de cabeça e ansiedade.
Soluções técnicas já estão em desenvolvimento: cabos de fibra ótica mais eficientes, GPUs com melhor dissipação térmica e sistemas de reciclagem da água de resfriamento.
Levar essas estruturas para regiões fria , esbarra num problema técnico chamado latência: quanto mais distante o data center, mais lento o processamento. A proximidade geográfica segue sendo decisiva para a velocidade da IA que usamos no dia a dia.
Por trás de tudo isso está uma discussão maior, a da soberania de dados. Informações de cidadãos brasileiros hoje armazenadas em servidores estrangeiros ficam vulneráveis a cortes de conexão e uso indevido por outras nações. Ter data centers em território nacional deixa de ser só uma questão de infraestrutura e passa a ser estratégica para o país.
A expansão é necessária. A pergunta que falta responder é onde e como ela vai acontecer. Afinal de contas queremos e precisamos de Datacenters, mas não na nossa vizinhança.






